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João Marques Ramalheira
In "Canção do Mar"
Falar de Ílhavo, é falar do mar - do seu sussurro, da sua canção cujo eco se repercute pelos séculos além. Ílhavo e o mar andam tão unidos como o perfume às rosas e a inquietação à alma humana!
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Ílhavo Heróico Poema... (A gr(...)

João Marques Ramalheira (Guilhermino Ramalheira)

João Marques Ramalheira, mais conhecido por Guilhermino Ramalheira, nasceu em Ílhavo a 22 de Outubro de 1898, filho de Guilherme Marques e Josefa de Jesus. Ainda em pequeno costumava brincar com seu primo e vizinho João Pereira Ramalheira, pelo que a semelhança dos nomes, provocava alguma confusão. Assim, familiares de ambos passam a chamar-lhe Guilhermino (seu pai era Guilherme) e ao primo, Vitorino (sua mãe era Vitorina) e a partir daqui a serem conhecidos sempre por estes nomes.

Com 13 anos

 O prof. José Nunes da Fonseca foi o seu primeiro professor. Logo de miúdo pensou ser jornalista e esta vocação nasceu da formação de um jornalzinho manuscrito na casa do Ilhavense Henrique António de Abreu e que se chamava Águia, feito em parceria com João Campos, Francisco António de Abreu,  Manuel Trindade Salgueiro e outros.

Águia

 

Por problemas surgidos com o proprietário da casa, o jornal acaba e vão pedir ajuda ao prof. Nunes da Fonseca e ao Dr. Frederico Cerveira. Através de uma subscrição conseguem então passar a publicar um jornal impresso na tipografia de Os Sucessos do sr. Vilar e com o nome A Escola Primária, saindo o 1º número a 5 de Maio de 1910.

Ramalheira

Com 22 anos



Com algumas dificuldades vai para o Liceu até ao 3º ano, mas seu pai, sapateiro de profissão e um fervoroso adepto da Música Velha (tocava rabecão), resolve empregá-lo no Porto como caixeiro duma casa que lhe fornecia o cabedal para a sapataria. Esta ocupação nunca chega a ser exercida e passa a moço de recados, calcorreando as ruas Portistas.

No entanto vêm avisar a sua mãe que o cabelo que ele tinha levado ainda se mantinha na mesma! Claro está que a estadia no Porto termina aqui, indo sua mãe buscá-lo para regressar à sua terra natal.

Finalistas do Magistério Primário de 1916

Aprendeu violino com os Ilhavenses Carlos Barreto Bilelo, José Carolla e João Carolla. Este foi o seu último professor de solfejo, mas como ele queria a música entoada, desistiu pois como era ainda garotinho, engasguitava não chegando às notas mais altas. Passou para Aveiro tendo como professor de solfejo João Aleluia. Depois, seu pai coloca-o na distinta professora aveirense de violino, Amélia Marques Pinto. Teve aulas durante quatro meses: ia duas vezes por semana, saindo de casa às 7 horas da manhã (as aulas começavam às 7.30 H) e às 9 H já estava no Magistério Primário. Os outros instrumentos (violão, rabecão e guitarra) aprendeu à sua custa.

D. Amélia Marques Pinto

(foto enviada pelo seu familiar Eduardo Marques Mattoso Maia)

Amelia

Récita com regência de Diniz Gomes no Teatro Aveirense

Frequentou o Liceu de Aveiro e a Escola do Magistério Primário, tendo-se diplomado a 27 de Julho de 1916 com a classificação de 18 valores. Neste mesmo ano foi nomeado professor em Aguim, concelho de Anadia, onde exerceu até 31 de Maio de 1917, sendo no ano lectivo seguinte nomeado interinamente para a Escola de Vale de Ílhavo, passando a efectivo desta mesma Escola, em 23 de Novembro, onde permaneceu até 30 de Setembro de 1930.  A 1 de Outubro desse ano passou para a Escola nº 2 em Cimo de Vila e em 1940 é colocado na Escola nº 1 da Ferreira Gordo, onde esteve até 26 de Novembro de 1962, aposentando-se após 46 anos de serviço.

Num jantar de aniversário do Illiabum Clube

Em 29 de Maio de 1959 foi condecorado pelo Presidente da República com a comenda da Ordem de Instrução Pública.

No Illiabum Clube

Cooperou na feitura da letra e música das revistas O Francês das Notas, Com Papas e Bolos, P'ra Inglês Vêr e Galeota. Como músico fez parte da orquestra da Nossa Escola, Caldeirada, Cantar do Galo e Molho de Escabeche. Foi por pouco tempo regente da Banda dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo e em Fevereiro de 1936 assumiu a regência da Filarmónica Ilhavense até Dezembro de 1949.

Corpo Directivo do Hospital - Julho de 1930 (em cima-Remígio Sacramento, A. Cardoso Pereira, Duarte Pinho

em baixo A. Guerra e Silva, Guilhermino Ramalheira e Américo Teles)

Como jornalista colaborou no Brado, Ilhavense e Jornal de Ílhavo e foi director do jornal Beira Mar. Era correspondente em Ílhavo de quase todos os jornais do Porto e Lisboa e do Diário de Coimbra, tendo ganho alguns concursos com trabalhos publicados.

Num convívio da Direcção do Illiabum Clube na Gafanha de Aquém

Num convívio Sportinguista


Fez duas conferências sobre o Arrais Ançã e a Canção do Mar, ambas publicadas e passou pelos órgãos sociais das seguintes colectividades e Instituições: Illiabum Clube, Hospital, Património dos Pobres, Bombeiros, Filarmónica Ilhavense e Museu de Ílhavo.

Museu de Ílhavo 

Em Junho de 1998 o Jornal O Ilhavense organiza os II Jogos Florais da cidade de Ílhavo, sendo patrono João Marques Ramalheira.

Com Joaquim Ferreira Jorge, Carlos Paulo, Dr. Vaz Craveiro e Alfredo Santos

Em Outubro de 1998 uma comissão formada pela Câmara Municipal de Ílhavo, a Associação  Chio Pó Pó, Junta de Freguesia S. Salvador, Bombeiros Voluntários de Ílhavo e o Illiabum Clube, comemoram o Centenário do nascimento do professor, com várias actividades que se prolongam por três meses.

No final de 2006 o Engº Senos da Fonseca escreveu "Guilhermino Ramalheira - Discurso da Paixão", com prefácio do Dr. António Malaquias e testemunhos do Illiabum Club, Santa Casa da Misericórdia e Associação dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo

Com comendador Alfredo Santos

No Vip-Vip com Paulo Lemos e Manuel Teles


Obras musicais:


Avé-Maria  (dedicada a José Carolla) 1926
Orquestra Sinfónica Juvenil do Colégio de Calvão

Marcha Illiabum de S. João de 1952 cantada por Maria Helena Pessoa


Canção de Ílhavo (1959)
Saudades da Praia (1959)
Canção do Marinheiro
Fado do Marinheiro
O Vento
Marcha S. João Illiabum (1952)
Marcha de cortejo Srª Pranto (1947, 1954 e 1966)
Marcha da Vista Alegre (1964)
Marcha de Alqueidão (1966)
Marcha da Gafanha da Nazaré (1966)
Balada de Amor (1969)
Coro de Recepção (P’ra Inglês Ver - 1933)
Viuvinha (" ")
Rádio e Grafonola (" ")
Cinéfilos (" ")
Lord (" ")
Tricanas (" ")
Becos e Avenidas (" ")
Cega-rega (" ")
Padeiras (" ")
Coro da Costa Nova (" ")
Taboada (Com Papas e Bolos - 1933)
Teodoro (" ")
Coro Final I Acto (" ")
Pescadores (" ")
Províncias (" ")
Costa Nova (" ")
Guitarra (" ")
Romaria (" ")
Brasileiros (" ")
Espiga e o Caroço (Galeota - 1934)
Noite de S. João (" ")
S. Gonçalo ("  ")
Telefone (" ")
Cega-rega (" ")
Jardim (" ")
Mantas de Farrapos (" ")
Largos ("  ")


João Marques Ramalheira vem a falecer na casa que tanto amou - Illiabum Clube - na noite de 9 de Maio de 1970, encontrando-se sepultado no cemitério de Ílhavo.

UMA OUTRA FORMA DE INTERPRETAR A "CANÇÃO DE ÍLHAVO"

Nos finais de 1994 a Direcção dos BVI tentou trazer a Ílhavo a Banda da GNR, missão que se adivinhava difícil dado que não havia, nessa altura, local apropriado para acomodar uma Banda com esta dimensão e sabíamos que os concertos na província não eram fáceis de diligenciar. Estávamos na altura em que tinha sido encerrado o quartel da PSP, ficando apenas a GNR como força de segurança na nossa cidade. Este foi o trunfo indicado no ofício enviado ao Comando da GNR (serviria para assinalar o acto) e a resposta recebida foi positiva. No entanto apenas tínhamos um local que poderia albergar o concerto (Pavilhão do Illiabum), apesar de sabermos das precárias condições acústicas para o efeito e que não era do conhecimento da Banda. Um mês antes, a Direcção dos BVI recebeu por carta, a intenção do maestro da Banda, Jacinto Montezo, se deslocar ao local para aferir das condições do recinto! Nesta altura temeu-se pela não realização do referido concerto. No dia aprazado, o presidente da direcção, comandante e nós, lá fomos mostrar o que tínhamos ao respeitável maestro. Este, apenas entrou no Pavilhão, bateu 3 palmas e com cara de poucos amigos, retorquiu: "estamos tramados, pois as condições são péssimas!!!". Depois de percorrer todos os cantos do Pavilhão tentando auscultar o que poderia ser feito, lá nos informou: "Bem, se não fosse a comemoração desta data, não haveria mesmo condições para o concerto. No entanto terão de arranjar uma cortina, suspensa desde a cobertura até ao piso do pavilhão, para minorar os efeitos do eco". Assim foi... já não nos lembramos das dimensões da famosa cortina, mas que eram exageradas, lá isso eram, tal como se pode confirmar pelo vídeo e confeccionada propositadamente para o concerto numa empresa especializada da Gafanha da Encarnação!!!

CANÇÃO DE ÍLHAVO ORIGINAL


EXPOSIÇÃO DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO

Organização do Chio-Pó-Pó


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