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João Marques Ramalheira
In "Canção do Mar"
Falar de Ílhavo, é falar do mar - do seu sussurro, da sua canção cujo eco se repercute pelos séculos além. Ílhavo e o mar andam tão unidos como o perfume às rosas e a inquietação à alma humana!

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Festival Rádio Faneca

A Rádio Faneca

Temas:  #Radio

A RÁDIO FANECA

Houve, em tempos, no actual Jardim Henriqueta Maia, duas cabines sonoras que passavam musica e publicidade aos fins de semana, servindo de entretenimento a quem passeava no referido Jardim.

Podemos até considerar que foram as primeiras e genuínas RÁDIOS LOCAIS EM ÍLHAVO!!!

Em 1946 Adamastor da Silva,  Manuel Baptista Gomes (conhecido em Ílhavo pelo Manuel da Avó) e outros, fundaram a primeira cabine sonora em Ílhavo (In Jornal O Ilhavense). Chamava-se Cabine de Publicidade Ilhavense - CPI e situava-se entre o Atlântico Cine Teatro e a Garagem dos Vizinhos.


Adamastor da Silva na Cabine de Som Ilhavense

Era uma barraquinha muito engraçada e muito bem desenhada. Em 1948 Adamastor da Silva vende a sua quota e regressa em 1950 apenas como locutor. Os destinos desta Cabine de Som passam depois por outras pessoas, sendo a última conhecida, o Prof. Duarte Pinho. Este, um melómano discreto que, a partir da cabine de madeira situada entre o cinema e a garagem, escolhia as noites de fortes temporais para transmitir música clássica para os que só por acaso ousavam passar pela avenida ou pelo jardim.
Era a esta cabine que chamavam RÁDIO FANECA. Diz-se que foi Adamastor da Silva quem a baptizou com este nome. Actualmente, o nome Rádio Faneca está registado como patente, numa iniciativa da Associação Chio-Pó-Pó, para se perpetuar este nome tão conhecido das gentes de Ílhavo.

Em 1951/52 surgiu a Agência Técnica animada por José Quinteles Pereira, Manuel Alegrete e Manuel Teles que tinha também um escritório mesmo em frente à Câmara Municipal em Cimo de Vila e a respectiva cabine de som por cima do edifício do correio antigo.


As instalações da Agência Técnica, por cima dos antigos Correios

Estas duas cabines de som chegaram a transmitir ao mesmo tempo, mas em horários alternados estipulados pela Câmara Municipal (a frequência emitida era a mesma e os ouvintes também!!!). Existe uma entrevista gravada em bobine, pertencente ao neto do Prof. Duarte Pinho, Jorge Gateira, (desconhecemos quem era o entrevistador) com Alves Barbosa, depois deste se ter classificado em 10º lugar na Volta à França. Ora isto aconteceu em 1956, o que se presume que neste ano, ainda funcionava a CPI. Extinta a Cabine de Publicidade Ilhavense, restou a Agência Técnica e mais tarde a Publicidade Vouga, até serem desactivados os serviços do correio e vendido o respectivo edifício, por volta de 1998.

DPinho

(Prof. Duarte Pinho com 49 anos)

Era assim a publicidade na CPI, nos anos 50 (registos de Jorge Gateira). Desconhece-se quem era o locutor:

Era no Jardim que as pessoas faziam o chamado picadeiro comendo tremoços e pevides e ouvindo os discos, dedicatórias e a publicidade. A primitiva aparelhagem utilizada era constituída por um microfone, amplificador/misturador de válvulas e apenas  2 colunas altifalantes enormes, embutidas numas campânulas em madeira contraplacado, que ofereciam um som muito bom para a altura, dado ainda não haver estereofonia. Os discos, de 78 rotações, eram tocados através de um gramofone, tendo que se substituir as agulhas ao fim do 10º disco!. Mais tarde surgiram as safiras com uma duração mais longa, bem como várias colunas espalhadas pelo Jardim e um gravador de bobines para emitir a publicidade. No início, todas as emissões eram em directo! A abertura era feita com a música do filme "A Ponte Sobre o Rio Kwai"


Manuel Teles

Também se passava música ao sábado à noite, ficando na memória os serões tépidos do mês de Maio, até às 23 horas, depois que as meninas vinham da novena!

Era a altura do Tango do Barnabé, um disco muito solicitado. Pagavam (geralmente os rapazes) 15 tostões por cada dedicatória oferecida às moças que tinham debaixo de olho!



O José Paulo Vieira da Silva, apenas com 13 anos de idade, começa a seguir as pisadas de seu pai e, na altura em que o Fernando José Morgado, João Manuel Ré e o Fernando Lucas animavam as tardes de Domingo, assume a responsabilidade da programação e vai pegando o vício da rádio a outros tantos entusiastas: seu irmão, A. Vieira da Silva, João Oliveira, Vasco Bilelo (fazia uma rubrica sobre desporto automóvel chamada Escape), Jacinto Manuel, José Peixoto, David Manuel e João Aníbal. Surgem as entrevistas em directo do Jardim, programas musicais/culturais e tudo o que era possível fazer com as limitações técnicas da altura. A rádio fervilhava no coração destes jovens Ilhavenses! Por ironia do destino, nenhum deles tem qualquer participação no aparecimento das rádios locais!!!


Filme sobre o programa "Orbitral 2S" que passava aos domingos à tarde na Publicidade Vouga

 

Durante o Verão eram suspensas as emissões em Ílhavo e passavam  para a Costa Nova em Julho, Agosto e Setembro. "Eu Te Amo Meu Brasil" foi uma das canções que fez sucesso na altura! Era conhecida pela cantiga das meninas da seca (situada entre a Costa Nova e a Barra), que vinham cantando, em grupo, depois de mais um dia de trabalho. Quando se montaram as colunas pela primeira vez na Costa Nova, foi em dois postes de cimento cravados na ria e encostados à antiga esplanada. Era o tempo das mulatinhas do Colégio Nuno Álvares de Tomar, que faziam estadia na praia durante o Verão. Havia inúmeras dedicatórias para estas meninas, que eram fogo na altura!!!  As emissões duravam até às 23 horas e finalizavam com o "Silêncio", acabando também, praticamente, o passeio na esplanada. Eram as próprias mães que diziam às meninas: "Vão passear, só até acabar a música"!!!

E assim foi até ao Verão de 1998!!!

Notas coligidas com Manuel Teles, José Paulo Vieira da Silva e apontamento enviado por José Charlim

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